segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tempo, uma questão de opção

Ah, o tempo! Essa coisa tão medida, tão preciosa, tão disputada, tão valiosa! O que fazer do tempo? Afinal, quem manda em quem, sou eu que mando no tempo ou ele que manda em mim? Como distinguir o senhor e o servo? Como evitar “ser tragado” por ele?

Os gregos resolveram, em parte, esse problema tão inquietante nos nossos dias. Resolveram criar duas palavras para designar dois tipos de tempo diferente. A primeira, o tempo cronos, significa o único termo que a língua portuguesa utiliza, com seus diferentes sinônimos: tempo mensurável pelo relógio e pelos astros. Esse é o tempo que nos restringe, inquieta, interpela, irrita e nunca parece bastar para fazer o que necessitamos.

A outra palavra grega para “tempo” é kairós. Este tipo de tempo é aquele que não se mede, é interior, espiritual, pleno, profundo. É pessoal, mas universal. Seu efeito atinge os que participam dele e os que lhe são indiferentes. Ao perceber isso, os cristãos dos primeiros séculos passaram a utilizar essa palavra para designar o “tempo da graça de Deus”, o kairós de Deus.

Na verdade, ambos os tipos de tempo foram criados por Deus. São, portanto, criaturas de Deus, como as nuvens, o ar, a água. Deus age em ambos e através de ambos. Quando Jesus se encarnou, ele encarnou-se no “tempo cronos”, mensurável, histórico, preciso. Entretanto, ao encarnar-se e nascer, ele transformou este tempo cronos em tempo kairós, tempo de graça, tempo da graça de Deus.

O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Ele, o Senhor do tempo, submeteu-se ao tempo cronos para transformá-lo em kairós. Obviamente, isso não é coisa de pouca monta. Trata-se da transformação da história da humanidade, a transformação de sua mentalidade humana em mentalidade divina. Diz respeito à inserção palpável do tempo kairós no tempo cronos. Com Jesus, podemos viver escravizados pelo tempo cronos ou libertos pelo tempo kairós.

Alienação? Zen? Nada disso: sabedoria. Se vivermos sabendo que Deus e, portanto, nós somos os senhores do tempo cronos, ele se transforma em kairós. Ao passar a administrar o tempo e submetê-lo a Deus, seu verdadeiro dono e criador, passo a conviver com ele como uma chance de viver para Deus, de enxergar a graça de Deus em cada minuto passado, presente ou por vir. Passo a viver o tempo kairós sem deixar de viver o tempo cronos.

Tenho 10 minutos para chegar ao trabalho, estou a 100 metros do prédio e o trânsito simplesmente não anda. Nervosismo e desespero? Jamais! O cronos foi transformado por Cristo em kairós. Ele sabe de tudo. Sabe por que o transito não anda, por que estou preso aqui e, como me ama, faz sempre o melhor para mim. Aproveito, então, o tempo que me é concedido como kairós: canto, rezo, ouço músicas ou palestras sobre o Evangelho, rezo o terço, louvo o Senhor da minha vida e do tempo.

Quando vemos o tempo como nosso senhor, como o indomável cronos, lidamos com a raiva que temos dele, lutamos contra ele o tempo todo, vemo-lo como um adversário invencível a quem, cedo ou tarde, teremos que nos submeter se quisermos ser alguém na vida.

Quando o vemos como nosso servo, um presente de Deus para melhor amá-lo e servi-lo, o tempo que percebemos é o kairós, ainda que inserido no cronos. Acolhemo-lo com alegria, enchemo-nos de gratidão para com ele que passa a ser para nós tempo da graça de Deus. Aquele tipo de tempo que a gente deseja nunca acabar: o tempo que mede o amor, a amizade, a oração, o carinho, a ternura, o dar-se ao outro por amor, a compaixão, a solidariedade, a partilha, a piedade.

Embora muitas vezes estraguemos esta percepção, o nascimento de Jesus é, essencialmente, kairós. A observação mais superficial de como o festejamos indicaria exatamente o contrário. O trânsito infernal, a lista de presentes, a preparação da ceia, a corrida para comprar o presente esquecido, a roupa que não foi passada, o sapato novo que prolonga o martírio, a impaciência, as repetidas olhadelas para o relógio, a correria de uma residência para outra, tudo denuncia o tempo cronos, implacável e indômito senhor a nos fustigar.

Entretanto, em sua essência mais verdadeira, o Natal não deixa de ser um kairós. Um autêntico, profundo e pródigo tempo de graça, tempo da graça de Deus. Toda a graça do Deus Vivo está à nossa disposição. Nele, o Todo Poderoso, se torna um recém nascido. Nele, o Forte se torna frágil, o Rico se torna pobre, o Livre se torna dependente para que nós sejamos livres. Será que é por isso, por nossa rejeição natural a esse abaixamento de Deus, por nosso medo de participar desse tipo de graça de não “ser alguém na vida”que insistimos em abafar esse incomparável kairós, sufocando-o com o nosso cronos?


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por Maria Emmir Nogueira, Co-fundadora da Comunidade Shalom *
Fonte: Formação Shalom

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Magnificat, o cântico de Maria

Magnificat” é o título latino dado ao “Cântico de Maria”, o belo poema de Lucas 1, 46-56. Mas se engana quem pensa que Maria pronunciou tudo aquilo de improviso, dando uma de “repentista”.

O poema é uma coletânea de versos extraídos do Antigo Testamento, tendo como pano de fundo o chamado “Cântico de Ana” (cf. I Sm 2,1-10).

E, nesse sentido, é poema de mulheres pobres, não só por marcar o encontro de Maria e Isabel, mas por se constituir em memória de um grupo que por nós precisa ser conhecido mais profundamente.

Ao atribuir o poema a Santíssima Virgem Maria, a comunidade de Lucas quer, entre outras coisas, afirmar que a jovem mãe fazia parte dos pobres de Deus.

Desde a época da destruição do país pela Babilônia, que aconteceu por volta de 587 a.C., o povo israelita começa a esperar o restaurador do reino davídico, o Messias.

Com o passar do tempo, vão se constituindo grupos e partidos, cada um com sua teologia própria, cada um esperando um messias que viesse satisfazer seus interesses. Começam a se formular compreensões diferentes dessa figura.

Os fariseus, por exemplo, aguardavam a chegada de um messias que viesse restaurar o reino davídico a partir da exigência do cumprimento total da Lei de Moisés. Os zelotas, por sua vez, aguardavam um messias guerrilheiro que expulsasse a dominação romana por meio de uma revolução armada.

Apesar dos poucos registros históricos, sabemos da existência de um outro grupo que se reunia para louvar ao Deus dos pobres, na espera de um messias que viesse do meio dos pobres, tal como havia profetizado Zacarias: “Eis que o teu rei vem a ti; ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho da jumenta” (Zc 9,9). Trata-se dos ‘anawîm, os pobres de Deus.

Desse grupo faziam parte, provavelmente, Isabel e Zacarias, os pais de João Batista, justos diante de Deus (cf. Lc 1,5-6); o justo e piedoso Simeão, que aguardava a consolação de Israel (cf. Lc 2, 25); a profetiza Ana, com seus oitenta e quatro anos de sonho e esperança (cf. Lc 2, 36-38). E Maria, com seu noivo José, que também era justo, conforme Mateus 1,19.

O termo “justo” é um adjetivo frequentemente atribuído às pessoas participantes do grupo dos ‘anawîm. É notável a liderança das mulheres entre eles [‘anawîm]. Muito provavelmente em seus momentos de encontro, de oração, elas iam coletando frases do Antigo Testamento e compondo canções como o Magnificat.

Os capítulos iniciais do Evangelho de Lucas recolhem ainda o chamado “Cântico de Zacarias” (cf. Lc 1, 68-75), outro exemplo desses poemas. Nossa Senhora sabia de cor essas canções, elas eram a história do seu povo. Composição de mulheres que conhecem bem as Escrituras

Numa cultura na qual as mulheres não tinham acesso às letras, chama a atenção como, no Magnificat, se fazem presentes os textos bíblicos.

É evidente a força feminina na manutenção da história por meio da memória oral, visto que a escrita estava ligada a pequenos grupos, normalmente de homens detentores do poder. Assim percebemos como a Santíssima Virgem e as suas companheiras conheciam bem a história de seu povo e dela tiravam forças para lutar.

A principal fonte inspiradora do Magnificat é o “Cântico de Ana”, mulher estéril, por isso discriminada e humilhada. Na amargura, ela chora e derrama a sua alma diante de Deus (cf. I Sm 1,10.15). Mas sabe expressar a sua gratidão ao se tornar mãe de Samuel: “Eu o pedi ao Senhor” (1 Sm 1, 20).

Muito sabiamente, o redator de I Samuel a ela atribui o poema presente em 1Sm 2,1-10. “O meu coração exulta em Deus, a minha força se exalta, o arco dos poderosos é quebrado, os fracos são cingidos de força” (idem 1.4-5).

Entretanto, esse cântico [Magnificat] percorre vários livros do Antigo Testamento.

Isaías havia dito: “Transbordo de alegria em Javé, a minha alma se alegra, porque ele me vestiu com vestes de salvação, cobriu-me com um manto de justiça” (Is 61,10). Habacuc 3,18 diz algo semelhante: “Eu me alegrarei em Javé, exultarei no Deus de minha salvação”. A figura do “servo sofredor” também é retomada, quando o poema diz que o Senhor “socorreu Israel seu servo” (cf. Lc 1,54).

Em Maria acontece algo extraordinário: toda a sua alma concebe o Verbo de Deus, porque ela foi imaculada e isenta de vícios, guardou a sua castidade com pudor inviolável. Assim, com Nossa Senhora, engrandece ao Senhor aquele que segue dignamente a Jesus Cristo.

A Virgem humilde de Nazaré se torna a Mãe de Deus; jamais a onipotência do Criador se manifestou de um modo tão pleno. E o coração castíssimo de Nossa Senhora manifesta de modo transbordante a sua gratidão e a sua alegria. E então, canta: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador”.

Padre Bantu Mendonça K. Sayla

fonte: Homilia Diaria

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Construamos o tripé sobre a Rocha

Reflexão de Evangelho Mt 7, 21.24-27

Não basta dizermos que somos de Deus, que somos batizados, que somos católicos, se a nossa vida não condiz com tudo isso. Uma vida sem testemunho, sem coerência, é tudo, menos vida cristã autêntica.

Muitas vezes, a falta de autenticidade na vida cristã não é fruto simplesmente da mediocridade e da duplicidade de vida; a grande causa é que ainda – na maioria das vezes – achamos que ser cristão é estar ausente de sofrimentos, lutas, angústias e cruzes. Convençamo-nos de uma coisa, meus amados irmãos e irmãs: quanto mais autenticamente vivermos a nossa fé, tanto mais as enchentes, os ventos e as chuvas darão contra a casa da nossa vida. Que interessante: a chuva vem por cima, as enchentes vêm por baixo e os ventos sopram os lados da casa. Para dizer que de todos os lados seremos afligidos, pois não pertencemos à sabedoria deste mundo cruel e desumano, que possui o demônio como o seu chefe – entendendo o mundo não como um ambiente físico-geográfico, mas como tudo aquilo que está fora da vontade de Deus. Sim, somos afligidos, mas não vencidos, pois o Senhor, a Rocha firme, venceu o mundo!

Para que a nossa vida seja sustentada sobre a Rocha firme, que é o Senhor, devemos montar o tripé – as sapatas da vida espiritual:

1º Oração: Santa Teresa d’Ávila é taxativa em dizer: “Quem reza se salva; quem não reza, se condena”. Precisamos viver em intimidade com o Senhor, fazendo com que nossa vida seja um Evangelho vivo escrito em obras e palavras, para que nossos irmãos possam ler e ser evangelizados.

2º Vida ascética: murmuramos e reclamamos muito da vida, dos reveses que nos acontecem; não queremos trabalho, sacrifícios, mortificações… Somos uma geração de gente fraca; por isso não aguentamos nada e acabamo sempre achando que os problemas estão fora. Aproveitemos as contrariedades da vida – as chuvas, os ventos e as enchentes – e as ofereçamos em sacrifício, em reparação; morramos para as nossas vontades, para as nossas ideias; façamos pequenos sacrifícios, fazendo das adversidades meios concretos de aprendizado. Na vida espiritual é muito salutar tomarmos os sofrimentos e, silenciosamente, louvando a Deus, ofertá-los ao Sagrado Coração de Jesus pela Sua Igreja. Onde estão os homens e as mulheres de sacrifícios silenciosos, a exemplo de Cristo na Cruz?

3º Jejum: Nossa Senhora em Medjugorje pede, em suas aparições, que venhamos a jejuar – a pão e água – duas vezes por semana (quartas e sextas-feiras). Faz de 50 a 60 anos que na Igreja do Ocidente o jejum tem sido esquecido na vida de muita gente batizada. Aqui está uma das causas pelas quais o demônio está “nadando de braçada” na vida de tantas pessoas. Foi o próprio Jesus quem afirmou que existem certos tipos de demônio que só podem ser expulsos pela força da oração e do jejum, segundo a Bíblia Vulgata.

Não olhemos para os reveses, para as chuvas, para as enchentes, para os ventos – eu repito. Mas olhemos para o tripé que precisamos construir, para apoiarmos a casa da nossa vida sobre a Rocha firme, que é Jesus Cristo. Nossa atenção deve ser voltada para aquilo que precisamos ser – cristãos – e no que devemos fazer – amar – e jamais termos a nossa atenção voltada apenas no que não conseguimos evitar: as contrariedades da vida.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

fonte: Homilia Diária Canção Nova

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O milagre da cura é uma via de mão dupla

Reflexão do Evangelho Mateus 15, 29-37


Jesus, ao percorrer o mar da Galileia, resolve subir a montanha e aí ficar com o Pai. É muito interessante percebermos que, biblicamente falando, a montanha, muito mais que um lugar geográfico, é o lugar do encontro com Deus; mas, para que possamos nos encontrar com Ele, é preciso nos encontrarmos com nós mesmos – já diziam nossos primeiros pais na fé, os Padres do Deserto.

Partindo do pressuposto de que para nos encontrarmos com Deus é preciso nos encontrarmos com nós mesmos, podemos entender a passagem do Evangelho de hoje, no qual muitos acorriam a Jesus, na montanha, para serem curados de suas enfermidades. Muitos eram coxos, ou seja, não conseguiam caminhar, pois lhes faltavam uma perna ou as duas pernas. Quantos de nós também nos encontramos coxos, pois não temos a coragem de caminhar em direção aos outros para servir, para nos dispor em ajudar e amar as pessoas. Estes coxos perceberam que o problema estava não nas pernas, mas no coração; quando resolveram sair de si, foram curados, pois a cura começou a acontecer à medida que saíram de seu mundinho e foram ao encontro dos irmãos para servi-los e amá-los.

Muitos eram aleijados, ou seja, eram paralíticos com relação à capacidade de ir e vir. O ódio, o rancor e o ressentimento travam as pessoas; isso é comprovado cientificamente; quantas pessoas paralíticas há– não por questões físicas – mas pelo fato de não perdoarem os outros; a falta de perdão trava as pessoas, fisica, emocional e espiritualmente; quem não perdoa fica paralisado.

Muitos eram cegos, ou seja, não conseguiam perceber os outros e suas necessidades, pois muito presos estavam em si mesmos, nos seus problemas, no seu mundinho, no seu egoísmo. Como é difícil enxergar as necessidades dos outros! Aliás, enxerga-se muito mal, pois só enxergam os defeitos e as dificuldades dos outros e da vida; não possuem um olhar de esperança, mas de pessimismo a respeito dos outros e da vida. Esta é a verdadeira cegueira.

Muitos eram mudos, ou seja, não conseguiam falar uma nova linguagem, a linguagem do amor; sua fala estava fundamentada na murmuração, na reclamação, no pessimismo, contaminando a audição de todos que conviviam com eles; chega a um ponto em que a pessoa fica completamente muda às coisas de Deus.

Muitos estavam surdos e mudos, ou seja, porque não escutavam, não falavam, não queriam escutar a Palavra de Deus, pois a atenção deles estava voltada para aquilo que é diabólico: seitas ocultas – ocultismo –, sociedades secretas, nova era, etc…

Cada um na sua enfermidade foram curados, porque fizeram a sua parte, ou seja, reconheceram sua miséria e foram até Jesus. Meu irmão, minha irmã: em qual enfermidade você se encaixa e precisa, diante de Jesus, renunciar e pedir perdão?

Quando nos encontramos nestas enfermidades, vamos morrendo de fome. Somente depois de renunciar a tudo isso é que o Senhor poderá nos dar o Pão da Vida, que é Ele mesmo.

A Eucaristia é um milagre e comungar é um milagre, cuja via é de mão dupla, ou seja, ou comungamos de verdade – permitindo que Cristo entre na nossa vida e nós na d’Ele – ou comungaremos a nossa própria condenação: Jesus entra em mim, mas eu não me deixo entrar n’Ele.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

fonte: Homilia Diaria - Canção Nova


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A paz entra pela família

Reflexão do Evangelho Lucas 19, 41-44


Ah, se soubéssemos quem pode nos trazer a paz. Na verdade, teoricamente falando, até sabemos quem nos pode trazê-la. A questão é que não sabemos por onde, de uma maneira toda especial, o Senhor quer nos trazer a paz: na família. A falta de paz no mundo é decorrência de famílias desestruturadas; por isso o mundo está sem paz, pois as famílias estão se destruindo, não ficando pedra sobre pedra. Jesus chora a realidade das famílias. Mas o que está acontecendo no interior das famílias, cuja paz está sendo impedida de reinar em nossa vida e na vida dos nossos filhos?

O problema do divórcio na vida matrimonial não é de hoje: é de todo o sempre, desde que o homem é homem; foi legalizado há pouco tempo, mas já é uma prática desde muito tempo. Aliás, o divórcio sempre foi um dos principais projetos do coração de satanás para destruir os filhos de Deus. A carta de divórcio – fruto de uma lei positiva, ou seja, uma lei criada pelos homens – não deve ser obedecida e seguida, pois vai contra a lei natural, lei esta que Deus colocou dentro do coração do homem, que é a sua consciência. A lei do divórcio é legal – por ser lei -, mas é imoral – não é nada “legal”, pois é projeto do coração do diabo colocado no coração dos homens.

Por que o número dessa prática [divórcio] está cada vez maior? Porque só é capaz de se casar com alguém aquela pessoa que se casou consigo primeiro. Como vou viver uma comunhão com alguém se em mim está tudo fragmentado, dividido? Não tem como!

Por outro lado, as famílias encontram-se – especialmente esposo e esposa – totalmente distantes do tripé que rege o sacramento do matrimônio: espiritualidade, diálogo e cultivo.

Espiritualidade: Onde estão as famílias? Alimentando-se da Palavra de Deus e da Eucaristia dominical? Existem muitas famílias que se reúnem para quinze horas de novela semanal e não têm uma hora de seu tempo para a Santa Missa no domingo. Há famílias que sabem da vida de todo o mundo, mas não sabem da história da salvação contida na Sagrada Escritura. E depois queremos perguntar o porquê de as coisas estarem indo de “medonho para infernal”?

Diálogo: Dialogar é diferente de conversar. Conversar é falar daquilo que está fora; dialogar é falar daquilo que está dentro, dentro do coração; é partilhar vida, intimidade. É dar-se a conhecer e conhecer o outro; significa rasgar o coração na presença da pessoa amada, sem medo de não ser acolhido (a). Quantas meninas buscam o colo de outros homens em casas de prostituição e motéis, porque não encontram o colo do pai dentro de casa; aliás, pai que não pega filha no colo, pega a filha no colo dos outros. Quantos esposos em prostíbulos, à beira de um balcão de bar, buscando diálogo, pois não têm condições e espaço para dialogar em casa? Quantos filhos cheirando “uma carreira” de cocaína, “beijando um baseado” de maconha, um cachimbo com crack, porque não encontram o rosto de pai e mãe em casa, para poder cheirar e beijar… E assim por diante. Onde estão os casais que dialogam e não brigam? Que estendam a mão para acolher e não para apontar erros e defeitos?

Cultivo: Cultivar uma planta significa cuidar, zelar, exige cuidado, exige abaixar-se constantemente em direção à planta para arrancar as ervas daninhas que estão ali e querem impedir o crescimento e o desenvolvimento dela [planta]. Esposos e esposas são convidados para se cultivarem mutuamente. Como fazer isso? Namorar! Os casais não namoram mais; um para um lado e outro para o outro.

O casal é convidado, os dois juntos, a se abaixar num gesto de profunda humildade e a arrancar aquilo que não presta em cada um; não “do pé da planta” que é a outra pessoa, mas da sua vida, ou seja, cada um dos cônjuges ter a humildade de reconhecer seus erros e mudar. E se colocarem a serviço para servirem-se mutuamente, colocando a pessoa amada como aquela que deve ser servida.

Se vivermos esse tripé, não precisaremos exigir uma carta assinada por satanás. O divórcio existe, pois pessoas divididas só podem querer se separar das outras. Nunca nos esqueçamos desta verdade: o amor é mais forte do que a morte! Porém, ele morre. Como? O amor nunca morre de morte natural: ele é sempre assassinado. Principalmente, quando algum dos pés é quebrado deste tripé: espiritualidade, diálogo e cultivo.


Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova


fonte: Homilia Diaria

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Formação: Nada te Perturbe


Quer conhecer um roteiro infalível para seu dia a dia? Leia com atenção:

Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa! Só Deus não muda. A paciência, por fim, tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta, pois só Deus basta.

Escrito há 500 anos, essa poesia de Santa Teresa de Jesus continua a ensinar o essencial: Só Deus basta! Mas, o que isso significa concretamente?

Vivemos sobressaltados, preocupados. Inquietos, passamos o dia tentando resolver mil coisas. Ansiosos, não conseguimos dormir bem. Preocupados, acabamos por meter os pés pelas mãos no desejo de evitar que aconteça o que nós consideramos “o pior”. Estressados, acabamos por nos irritar contra tudo e todos. Gritamos no trânsito, gritamos em casa, desmoronamos de cansaço.

O problema está, entre outras coisas, em achar que sabemos o que é o “melhor” e “pior”para nós. Uma vez estabelecido o que consideramos nos convir ou não, tomamos as rédeas para determinar o que consideramos “melhor”. Ocorre que tudo, mas tudo mesmo, passa e o que ontem nos parecia “o melhor”, hoje é, visivelmente, “o pior”.

A raiz da inquietação, estresse, preocupação e ansiedade que aos poucos nos matam, contudo, reside além do fato de tudo passar, reside na fé.

Há a fé que acredita em Deus e reza, contrita, o “Creio em Deus Pai”. Acreditar desse jeito, afirma São Tiago, até os demônios crêem e tremem. Nós, até cremos, quanto a tremer...

Há aquela “fé” que pede a Deus o que acha “necessário”, “imprescindível”, “melhor” e fica ressentida com Deus se ele não atende seu pedido por mais que peça através de todos os meios – diga-se de passagem, nem sempre lícitos. É a fé infantil, diria, até, “birrenta”. Essa fé, “contrariada”, muda de igreja quando não é atendida, assim como criança birrenta põe cara feia e diz aos pais que não é mais filho deles.

Há a fé madura, que crê no Evangelho e na Igreja e vive seus ensinamentos, custe o que custar. É a fé dos santos.

Há a fé que confia em Deus e a ele se entrega inteiramente, tranquila, pois sabe que ele é Pai e sempre providencia o melhor para nós. E, para Deus, o melhor para nós é a santidade.

É essa fé madura e inteiramente confiante no amor de Deus que não se perturba com nada. Sabe ser fiel a Deus e ao Evangelho na penúria e na fartura, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

Essa fé madura e confiante que é amada por Deus, não se espanta com nada. Nada a escandaliza, ainda que seja grande tristeza. Seus olhos não estão aqui na terra, mas fixos no céu. Sabe que, aqui na terra, tudo passa, tudo muda. Sabe que tudo pode nos enganar e iludir. Sabe, sobretudo, que Só Deus é o mesmo sempre. Só Deus não muda. Só o amor de Deus é sempre o mesmo, pois ele é amor em ato. Essa fé não vive para a terra nem valoriza o que à terra pertence. Vive para o céu, usando as coisas da terra para alcançá-lo.

Por isso tem paciência. Não aquela paciência de autodomínio, nem aquela que rói as unhas e balança as pernas para controlar a impaciência interior. Trata-se, aqui, da paciência-esperança, a paciência-fé, a paciência-amor.

É aquela paciência que sabe que Deus está no comando. Sabe que ele pode tudo e tudo realiza por amor. Está certa de que, no tempo de Deus – e não no seu! – ele mesmo resolverá da melhor forma de todas, sempre visando nossa santificação e a do mundo. Sabe que, ainda que tudo esteja negro, verá a vitória de Deus e que essa vitória nem sempre é tal qual pensamos.

Fé, caridade, esperança, paciência, confiança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Corretíssimo. Mas, quem é mesmo que “tem Deus”. Todos. Porém, Santa Teresa fala aqui daquele que conhece Deus não por palavras e teorias, mas pela oração e pelo amor. Em uma palavra, pelo relacionamento pessoal, relacionamento de amizade. Este, que ora com a Palavra, que tem a Deus como o centro de sua vida, que procura amá-lo em tudo, a este, nada lhe falta. Dele cuida o Pai muito melhor do que as aves do céu e os lírios dos campos, pois ele vale muito mais aos seus olhos.

Nada te perturbe, homem de pouca fé! Nada te espante, mulher de pouca esperança! Tudo, mas tudo, mesmo, passa, exceto Deus. Fica, então, com o Único que é digno do teu amor e deixa-o cuidar de ti. Espera. Confia. Espera sempre, confia sempre. Quem tem a Deus, quem o conhece, quem confia nele, vive de forma diferente, vive de olho no céu e de coração no coração de Deus. Por isso, é tranqüilo e feliz.

Só Deus basta. Dedica-te a Ele. Deixa-te amar por ele. Ama-o. Nada, então, te perturbará.

Maria Emmir Oquendo Nogueira



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por Emmir Nogueira, Co-Fundadora da Comunidade Shalom *

fonte: Comunidade Católica Shalom

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Confira as fotos do já aconteceu na semana da Juventude





Juventude ReunidaAinda teremos:
21/10 (5ª feira): Missa da Misericórdia, animada pela ORE, às 19h.
22/10 (6ª feira): Noite Cultural - com Espaço MPB/POP e a ELETROD'ARC às 19h
23/10 (sábado): Tarde Missionária, às 15:30 na matriz. A noite convidamos a todos para o show da Banda Oz Piradinhoz no Centro de Artesanato.
24/10 (domingo): Pela manhã temos o CINED'ARC às 9h exibindo Anjos e Demônios, e teremos a presença do Frei Edmilson.
A noite temos a grande missa de encerramento as 19h na praça da "telemar". Logo após a missa a ORE realizará as inscrições para o retiro de carnaval.
Além disse contaremos com a banda LOUVADEIRA que vai fazer o mocambinho tremer e remexer!
Cartaz divulgação Semana Juventude 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Semana da Juventude, de 17 a 24 de outubro. Jovem, a Vida quer Viver!


É com grande alegria que a Paróquia Santa Joana D'arc convida a todos, especialmente a juventude, para participar da Semana da Juventude, que esse ano tem como tema "Jovem, a vida quer viver", e lema "Eu vim para que todos tenham vida (Jo 10,10)".
Em meio a muitos cenários de morte para nossos jovens, somos chamados a dar esse grito pela vida! Chega de violência, de mortes no trânsito, de depressão, desemprego, suicídio, drogas! A juventude anseia fortemente ser feliz!
Participe, venha ter uma experiencia com o Cristo Ressussitado!

Programação:
17/10/2010
09h: Abertura
09h30: O Jovem e a dimensão vocação. Conferencista: Pe. Adão. Moderador: Pe. Gilberto
11h: Mesa Redonda: Sexualidade Humana. Moderador: Pe. Neto
19h15: Missa

18/10/2010
19h30: Encontrão da Juventude: louvor, oração, pregação. Concentração no pátio do CEFORMI
20h30: Palestra de D. Sergio da Rocha

19/10/2010
19h: Novena N. S. Perpétuo Socorro na matriz

20/10/2010
19h30: Momento Penitencial
20h15: Confissões Espontâneas, no pátio do CEFORMI.
20h30: Adoração com benção do Santíssimo

21/10/2010
19h: Missa da Misericórdia com benção do Santíssimo, na igreja matriz.

22/10/2010
19h: Noite Cultural: Espaço MPB/POP e tenda eletrônica - ELETRODARC

23/10/2010
15h30: Tarde Missionária com a juventude em todos os setoriais

24/10/2010
09h: Cine d'Arc: Anjos e Demônios. Conferencista: Frei Edmilson. Moderadores: Pe. Gilberto e Pe. Neto
19h: Missa de encerramento, na praça da "Telemar"
Show de encerramento com a Banda LOUVADEIRA.

domingo, 10 de outubro de 2010

Dia das Crianças 2010

Dia das Crianças 2010
É com muta satisfação que tivemos a graça de realizar mais um Dia das Crianças, com o tema Todos da Arca de Noé, que já esta na 3ª edição na Paróquia Santa Joana Darc. A Juventude, em unidade, mostrou muito serviço e contagiou a criançada. No evento, além da atuação dos nossos super-mega-hiper-palhaços, oferecemos a Videoteca, Sala de leitura e Oficina de desenho, lanche e o momento mais aguardado: distribuição de brinquedos!

Contamos também com a presença de parceiros como a InfoWay e Uniplam que atuaram como patrocinadores e colaboradores, também contamos com a Distribuidora Cristal, que faz a alegria do paladar da criançada com os seus produtos!

O Grupo Despertar agradece a todos que contribuiram para essa grande festa da solidariedade, da esperança, da justiça, da igualdade, de evangelização! Agradecemos a comunidade, as empresas amigas da criança, a solidariedade e sensibilidade das pessoas que se preocupam com o próximo.

Agradecimento especial ao EJC, Grupo de Acólitos, Ministério Jovem, Catequese e ao nosso Pároco Pe. Gilberto, que juntos não pouparam esforços para colaborar com essa festa!

Que Deus abençoe a todos!
Fotos

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Doações de Brinquedos para o Dia das Crianças



Juntos podemos construir um mundo melhor.

Faça a sua parte, dê alegria a uma criança, doe um brinquedo para contribuir com nossa obra.

Deus abençoe!
Paz e bem!

Entregar Doações na Secretaria da Igreja Santa Joana D'arc!

Separar pecado e pecador

Meus queridos irmãos, a primeira leitura de hoje [I Coríntios 6,1-11] nos deixa um pouco desconcertados porque São Paulo usa tons fortes para definir o julgamento de Deus. O apóstolo faz uma lista de pecados, a qual parece roteiro de novela: “Não vos iludais: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem pederastas, nem ladrões, nem avarentos, nem beberrões, nem insolentes, nem salteadores terão parte no reino de Deus” . É sério e grave, São Paulo nos apresenta uma lista de pecados e afirma que as pessoas que cometem tais pecados não serão dignas do Reino dos Céus. E fala também “alguns de vós, éreis isso! Mas fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus”. Foi Deus quem nos lavou e nos justificou. Se Deus morreu por nós na cruz, se Deus é infinita misericórdia, como é possível falar de inferno? Nós temos de crer na seriedade do julgamento futuro, isso é muito sério.Na Carta Encíclica “Spe Salvi”, o Papa Bento XVI diz que o juízo de Deus é para nós fonte de esperança. Como coisas tão trágicas – como o inferno e o juízo de Deus – podem trazer esperança? Meus irmãos, é caridade da Igreja falar do inferno. Existem pregadores que não querem falar do inferno e dizem que Deus é amor, misericórdia, por isso como poderia existir o inferno. Isso é artimanha do diabo: transformar a confiança em Deus em presunção, ou seja, a pessoa não leva a sério suas responsabilidades porque tem a presunção de que será perdoada! Nunca pregamos tanto a misericórdia de Deus e estivemos tão atolados em pecados, tudo isso por causa da presunção. E assim muitos pensam: “Se o inferno não existe, o que tem se eu roubar esse dinheiro?” Examine o estilo de vida das pessoas que não creem na existência do inferno, elas vivem uma vida demoníaca. Então eu posso matar, roubar, pois eu vou ser perdoado. Se não acreditamos mais na existência do inferno nos transformamos em pessoas para além do bem e do mal. Esse foi o pecado de Adão e Eva, que comeram do fruto da árvore do bem e do mal; isso é para mostrar que não cabe a nós, seres humanos, decidir a bondade e a maldade, isso cabe somente a Deus, que criou os seres humanos.

O pecado é aquilo que me destrói, me faz uma pessoa pior, e eu não posso agora usar a misericórdia de Deus para justificar minha destruição. Se a mãe ama seu filho ela odeia o pecado que o destrói. Nós que somos seguidores do Deus, que é Amor, temos de alimentar em nosso coração um amor infinito pelos pecadores e ódio supremo pelo pecado. O mundo é branco e alvo como a neve pura ou, então, vermelho escarlate como o pecado. Temos de ser capazes de dividir essas duas realidades. Como se dentro de mim existe o bem e o mal? É possível se nós compreendermos que devemos odiar nossos pecados, esse é o primeiro dever do cristão. A grande diferença entre o cristão e o não cristão, no campo moral, é que o cristão peca e odeia o seu pecado e o não cristão peca e faz do pecado um projeto de vida, um jeito de viver. Se existe ódio ao pecado você está no bom caminho, mas não faça dele [pecado] um projeto de vida. Somente quando nós odiamos o pecado é que acontece este milagre: “Fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus”. Nós precisamos usar essa espada que divide pecado e pecador, e é muito importante usá-la. Nós amamos nossos irmãos pecadores, mas odiamos o [pecados] que eles fazem. O sacerdote atende confissão sentado porque ali ele age como um juiz, para absolver o pecador.Deus vai pegar o meu pecado, levá-lo para o fogo da Geena e me levar para o Céu. O padre corta a “corda” que une o pecado ao pecador. O pecado recebe de Deus o ódio eterno e o pecador a misericórdia do Senhor; nós separamos o que é “branco” do que é “vermelho” e é isso que faz o Cristianismo. Mas o pecador não enxerga isso, acha que ele é seu pecado. Quando o padre condena o pecado ele [pecador] acha que este o condena; no entanto, o pecado não faz parte do pecador. Por isso odeie seu pecado, vire as costas para ele todos os dias!

Santo Isaac de Nínive dizia o seguinte: “O homem que chora os próprios pecados é maior que este que ressuscita os mortos”. Por quê? Quando você chora os próprios pecados o Reino de Deus está acontecendo em você. Por isso Bento XVI afirma que o juízo de Deus é fonte de grande esperança. Imagine se chegássemos ao Trono da Graça e Deus falasse: “Entre assim mesmo”. Você gostaria de entrar no Reino com esse coração mesquinho?Existem pessoas com o coração fechado. É só lembrar dos sistemas de Governos opressores, que só existem para fazer o mal, fechados para Deus e para a bondade. Esse tipo de pessoa vai se fechar para Deus na hora da verdade. Pessoas assim, soberbas, duras, não se dobram ao Senhor. Há gente que está morrendo de sede, mas não tem coragem de se rebaixar para lhe pedir o copo de água que está na sua mão. O Papa diz que estas pessoas não são muito comuns.E também há pessoas como nós, que temos esse coração medíocre, somos honestos, mas de vez em quando mentimos; nós rezamos, mas de vez em quando perseguimos quem reza; perdoamos, mas também guardamos mágoa. Imagine se vamos entrar no céu com um coração assim eternamente!? Não pode ser! Não somos gente, somos um campo de batalha e Deus não quer que entremos no Céu assim, por isso nos dá o purgatório.Hoje, olhamos para a cruz e enxergamos um pouco do amor de Deus, mas no Céu vamos ver esse amor cara a cara. Vamos ver o nosso coração que pouco amou. E pensaremos: “Meu Deus, que grandeza vosso amor! Mas que miséria a minha correspondência!”. Será o arrependimento de quem enxerga o quanto Deus se entregou por nós e nós não nos entregamos a Ele; essa dor se chama “purgatório”. Ali seremos purificados, Deus Pai vai queimar as nossas misérias, e com uma espada, Ele vai nos separar dos nossos pecados, então poderemos entrar no céu. Essa é nossa grande esperança. No purgatório só existe uma porta para o céu, por isso quem está lá [no purgatório] já está salvo, não desce para o inferno. Por isso, reze pelos que estão no purgatório, isso é caridade.O inferno existe não porque Deus não é misericórdia, mas porque somos livres para voltarmos nossas costas para o Senhor. Então leve a sério a sua vida, tenha medo de perder Deus! Ao mesmo tempo, devemos ter infinita confiança n'Ele, confiança de que Ele não morreu inutilmente e de Ele fará de tudo para nos salvar.De nada nos adianta dizermos que amamos a Deus Pai se não odiarmos os nossos pecados para sermos d'Ele. Se você se arrepende dos pecados, o Todo-poderoso precipita o pecado no inferno e salva o pecador. Nós precisamos chegar no céu com o coração transformado, e isso é misericórdia de Deus para nós.Por isso, ninguém está autorizado a parar de pregar sobre a existência do inferno. O julgamento de Deus nos fins dos tempos é para nós fonte de grande esperança. Nosso Senhor quer nos salvar. Se você vê que na sua família há pessoas fazendo do pecado um projeto de vida, ajude-as a sair desse mal [pecado], mas se elas não o ouvirem, exerça seu sacerdócio como diz a música dos Anjos de Resgate: “Te amar por quem não te ama, te adorar por quem não te adora....” Você pode amar, adorar e esperar em Deus pelas pessoas de sua família. Podemos também pedir perdão por elas, também podemos chorar os pecados dos outros, de alguma formar isso vai ajudá-los.

Padre Paulo Ricardo

Transcrição e adaptação: Willieny Isaias

fonte: http://www.cancaonova.com/

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Amar dói

Evangelho: Mateus 22,34-40

Jesus, ao ser interrogado pelos fariseus, pois havia feito calar os saduceus sobre o maior mandamento existente debaixo do Céu, responde que não há maior mandamento que amar a Deus e, consequentemente, amar o outro.

Esta palavra – amor – hoje em dia, está muito desgastada, “saturada”, banalizada. Perdeu-se a noção e a compreensão do significado dessa palavra. Há um empobrecimento e um esvaziamento na compreensão e no sentido mais profundo do que é amor.

Gosto da definição, acerca do amor, trazida por Madre Tereza de Calcutá. Ela diz que: “o amor é aquilo, que diagnosticamos na carne, ou seja, o amor começa em nossa vida, quando começa a dor a carne”. Ou seja, enquanto não dói a nossa carne, só estamos fazendo o bem; o amor começa quando começa a dor a carne.

Amor não é sentimento, apesar de passar por ele muitas e muitas vezes; amor é decisão, é opção consciente por querer amar, por querer dar a vida pelo outro. Passamos a amar a Deus quando nos deixamos levar pela Sua vontade e não pela nossa; quando começamos a fazer a opção pela vontade d’Ele em nossa vida e não mais pela nossa. Dessa forma, logo nosso ser, – nossa carne –, começa a dor e a doer muito; queremos, a carne grita, pela vontade do nosso corpo, dos nossos sentimentos, dos nossos afetos, dos nossos apetites, sejam eles quais forem eles.

Quando fazemos a opção pelo amor a Deus, como consequência, fazemos a opção pelo amor ao próximo. Aliás, como poderei amar a Deus, que não vejo, se não amo meu irmão que vejo? Incoerência total! O amor pelo Senhor passa pelo irmão; o amor pelo irmão passa, necessariamente, pelo amor ao Senhor.

Costumo dizer: quem não quer sofrer não ame! Pois quem ama, sofre! Quem não quer sofrer não ame, mas tenha certeza de uma coisa: não viverá e, sim, vegetará. Por quê? Porque – repito – o amor começa quando começa a doer a carne.

O amor acontece na concretude da nossa vida, como fruto de decisões livres e conscientes que fazemos em favor dos outros e por amor a Deus. O amor passa pelos sentimentos, mas não pode ser sentimentalismo.

Existem muitas pessoas se perdendo, pois não as estamos amando realmente, ou seja, não as estamos exortando, dizendo as coisas que elas precisam ouvir. Amar significa não dizer o que a pessoa quer ouvir, mas o que ela precisa escutar.

O amor acontece nas realidades mais simples da nossa vida, nas pequenas coisas que somos convidados a fazer pelos outros; ou seja, precisamos entender que amar é fazer concretamente o que deve ser feito, a partir das pequenas coisas, pois grandes coisas qualquer desesperado faz. Gosto muito deste exemplo: uma pessoa que está prestes a perder a esposa, como muita facilidade consegue descer de um prédio de vinte andares, com uma rosa na mão e dizer para todos que a ama. Difícil é dizer, na simplicidade do dia, todos os dias da vida, que ama a esposa. Repito, grandes coisas qualquer pessoa desesperada faz. Claro, estava prestes a perder a esposa e o casamento neste caso…

Amemos, irmãos e irmãs, a todos e a Deus, com gestos concretos, pois de promessas e de desejos o inferno também está cheio. Amar dói; mas tudo que faz doer cura!

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

Fonte:Homilia Diária
Texto original:Amar dói

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Vencendo as barreiras nos relacionamentos

Se não tivéssemos aprendido um pouco sobre a metamorfose das borboletas, sequer poderíamos imaginar que o mesmo inseto que esvoaça entre flores tenha sido uma asquerosa lagarta, a qual semanas antes estava rastejando pelo mesmo jardim.

Foram necessários interesse e maturidade para estudar o delicado comportamento dessas lagartas, do contrário, teríamos nos empenhado no extermínio daquelas devoradoras de plantas e erradicaríamos da natureza a beleza colorida que vivifica os bosques. Uma dedicação semelhante se faz necessária para cada um de nós quando a questão envolve vidas e diferenças de comportamentos.

Como seria fácil se, para o nosso convívio diário, – diante das divergências e na tentativa de convencer alguém sobre uma determinada opinião – pudéssemos inserir um cartão de memória pré-programada para obter os resultados esperados, como fazemos em máquinas… Ou ainda, não estando satisfeitos com as atitudes e procedimentos de alguém, simplesmente cortássemos o contato com ele, como podamos os ramos de uma árvore em nosso jardim.

Por diversas vezes já tivemos vontade de “abrir” a cabeça de alguém e fazer com que ele entendesse o nosso pensamento para que vivesse a nossa vontade. Entretanto, bem sabemos que, diante de tais desafios, muitas vezes, tomamos atitudes enérgicas, apoiadas em nosso autoritarismo. Se assim agirmos, estaremos sufocando a “metamorfose” na vida daqueles que ainda precisarão atingir o próprio amadurecimento, tal como ocorre com as borboletas.

Quem se abre aos relacionamentos deverá estar sempre disposto a resgatar a saúde do convívio, mesmo quando inúmeras situações indicarem a facilidade da fuga como válvula de escape. É verdade que somente nos desentendemos com aqueles com os quais realmente convivemos e, de maneira especial, quando as coisas não vêm ao encontro das nossas cômodas intenções. Muitas vezes, preferiríamos viver numa ilha, isolados de tudo e de todos, especialmente quando experimentamos as asperezas dos desentendimentos, comuns e pertinentes às nossas amizades. Em outras ocasiões, surge até o desejo de pegar um dos nossos amigos pelo pescoço, chacoalhá-lo e jogá-lo contra a parede. Certamente, tal vontade tem de ser controlada, já que esses sentimentos tendem a desaparecer com a mesma velocidade com que emergiram no calor dos ânimos exaltados.

Contudo, a lição proposta pela vida é a de sempre conquistarmos alguns passos à frente na caminhada que estamos trilhando rumo à maturidade. Mas como fazer com que um infortúnio se torne uma história de superação? Sem culpar pessoas ou acontecimentos, passemos a considerar as consequências do impasse que estamos enfrentando. Sem parar na dificuldade, busquemos as possíveis soluções ao nosso alcance. Pois, assim como o rochedo desafia um alpinista, as nossas diferenças permanecerão imóveis até que nos coloquemos em ação para superá-las.

Tal como as ondas do mar roubam as areias sob os nossos pés, as desavenças, impaciências, irritações, invejas solapam os alicerces das nossas amizades. Penso não existir coisa mais descabida numa relação pessoal do que o ato de “dar um gelo”, ou como alguns preferem dizer: “matar fulano no coração”, ou seja, esquecê-lo. Ignorar, mudar de calçada ou desconsiderar a presença de alguém, que antes fazia parte de nosso círculo de amizade, faz com que retrocedamos ao tamanho das picuinhas dos seres mais ínfimos que podemos imaginar. Seríamos injustos se comparássemos tais atitudes ao comportamento infantil, pois, na pureza peculiar das crianças, sabemos que logo após seus acessos de raiva, estas instantaneamente voltam à amizade sem nenhum ressentimento ou mágoa.

Pelos motivos acima apontados, muitas vezes, ferimos os sentimentos daqueles com quem convivemos; talvez, na mesma intensidade de uma agressão física.

Para nós adultos, reviver a aproximação com alguém que tenha nos ferido não é uma atitude fácil. Ninguém é superior o bastante para estar livre dos erros e deslizes em seus relacionamentos. Podemos ser vítimas, também, de nossos próprios ataques que, refletidos em atos potencializados pela ira, descontentamento ou ciúme, tenham decepcionado um amigo com nossas grosserias ou indiferenças. O restabelecimento desses abalos em nossas relações, ainda que não seja algo fácil, poderá ser possível ao tomarmos a iniciativa da reaproximação, por exemplo, a partir das atividades ou coisas que eram vividas em comum.

“Atire a primeira pedra aquele que nunca errou”. Assim, ao nos colocarmos na mesma condição – sujeitos aos mesmos erros – justificaremos a atitude do destrato sofrido não como sendo um comportamento próprio do nosso amigo, mas como resultado de uma faceta ainda desconhecida dentro do nosso convívio, a qual precisará ser trabalhada.

Deus abençoe o seu, o meu e o nosso esforço.

Um abraço,


Dado Moura

Webwriting para o Portal Canção Nova

Outros temas do autor: www.dadomoura.com

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

“Precisamos de Santos” – Papa João Paulo II

Precisamos de Santos

Precisamos de Santos sem véu ou batina.

Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.

Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.

Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade.

Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade.

Precisamos de Santos modernos, santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida em nosso tempo.

Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.

Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.

Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc man.

Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refri ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.

Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.

Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos".

Papa João Paulo II

segunda-feira, 19 de julho de 2010

De quem sou eu?

Nós somos de Deus, porque Ele nos escolheu!

Uma excelente pregação do Pe Leo.



Caso o vídeo não seja carregado tente o link: De quem sou eu?

Fonte: Web Tv Canção Nova

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Amigo de verdade é aquele que corrige

O melhor, às vezes, exige correção

Há um princípio fundamental em qualquer amizade: ela deve nos fazer crescer. Como uma árvore boa é podada para poder dar frutos bons, assim também, durante a caminhada de crescimento e de amadurecimento, o ser humano precisa de algumas boas “podas”. Passar por esse processo não é fácil e, muitas vezes, nem aceitamos que qualquer um nos pode. Por isso Deus coloca algumas pessoas especiais em nossas vidas não só com a oportunidade, mas com a missão de nos corrigir para nos fazer crescer.

Monsenhor Jonas Abib, certa vez, escreveu que existem situações de nossa vida nas quais, muitas vezes, só o amigo é capaz de nos corrigir. O conhecimento mútuo, ou seja, a intimidade que uma amizade gera entre duas pessoas produz um conhecimento tão profundo da alma do amigo que nos permite saber a forma e quando corrigi-lo. O amor compartilhado é capaz de abrir “compartimentos lacrados” de nosso coração, os quais precisam da luz da verdade sobre as nossas misérias, para que estas possam ser curadas.

Por causa da abertura de alma que há numa amizade um amigo é capaz de chegar aonde ninguém consegue. Ele é capaz de atingir e tocar nos pontos mais delicados de nossa história, de nossa vida, com toda a maestria que só o amor é capaz de suscitar. São feridas nas quais ninguém havia tocado, mas que somente um amigo é capaz de tocá-las e curá-las com seu amor.

Um bom amigo é como um bisturi nas mãos de Deus, capaz de rasgar a nossa alma para que todas as mazelas sejam expelidas e o coração possa ser curado. Esse processo é muito doloroso no início; não é fácil aceitar a correção e escutar tantas verdades da boca de alguém. Muitas vezes, isso fere, machuca e realmente arranca pedaços, mas, logo depois, o bálsamo do amor do amigo é derramado, consolando, aliviando e cicatrizando as nossas feridas. Alguém precisa fazer o serviço, por isso Deus usa dos nossos amigos. Ele sempre se utiliza de alguém para agir em nossa vida, suscitando a pessoa certa para que, através do amor concreto, toque na ferida e cure o nosso coração.

Pressuposto de uma amizade madura e saudável é a correção. A Palavra de Deus nos ensina: “Corrige o amigo que talvez tenha feito o mal e diz que não o fez, para que, se o fez, não torne a fazê-lo” (Eclo 19,13). Amigo que não corrige, não faz o outro crescer e por isso não ama de verdade. Um relacionamento de amizade verdadeira em Deus não comporta omissão. É preciso haver verdade, sinceridade e por isso liberdade para poder corrigir, mas fazê-lo no amor. Quem ama quer o melhor para o outro e esse melhor, muitas vezes, exige correção.

Saber que alguém que está nos corrigindo nos ama não nos anestesia da dor da “poda”, mas nos traz segurança. Podemos até resmungar, nos irritar, no entanto, ouvimos e acabamos aceitando. Lá na frente veremos o quanto aquela exortação nos fez crescer e nos livrou de tantos sofrimentos.

Se um amigo o corrigiu, aceite a correção! Exortação não é questão de falta de carinho; pelo contrário, é ato concreto de quem ama e quer o melhor para nós. Se um amigo seu precisa de correção, não se omita! Não deixe que o seu medo de perder a amizade por ter de corrigi-lo o leve a perdê-lo definitivamente. Mostre o seu amor e se comprometa com a vida dele. Cumpra sua missão de amigo: corrija e o ganhe para sempre; o ganhe para Deus!


Renan Félix
renan@geracaophn.com
Seminarista da Comunidade Canção Nova, reside atualmente em Cachoeira Paulista (SP). Outros temas do autor: blog.cancaonova.com/renanfelix

Fonte: Canção Nova
Indicado por Maurílio.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O valor da hospitalidade

Ela provoca o diálogo e amadurecimento

É muito importante a hospitalidade. Talvez seja um dos mais significativos gestos fraternos na vida, porque supõe acolhida e valorização das pessoas na sua individualidade. Ela cria relacionamento e convivência, provoca o diálogo e amadurecimento na vida comunitária.

Isso aconteceu na vida de Jesus quando visitou a casa de Marta e Maria, certamente irmãs de Lázaro a quem Ele bem conhecia. As duas irmãs O acolhem com carinho, tendo cada uma delas comportamento próprio. Jesus, como visitante, leva em conta as suas atitudes.

Marta, provavelmente a mais velha, age no cuidado da casa e em preparar o necessário para a boa acolhida e hospitalidade. Isso era o normal na vida das pessoas em suas residências. Era a correria para cumprir as tarefas nos momentos certos da casa. Maria, mais centrada talvez, fica sentada ao lado de Jesus e vai apreciando as Suas palavras. Ela teve uma atitude de escuta e de contemplação do que estava ouvindo do Mestre. Sabemos do valor e do sentido disso na vida.

É bom hospedar e cuidar bem das pessoas. Mas isso tem grande valor quando criamos diálogo, amizade, relacionamento e valorização das palavras. Por essa razão, o Senhor fez questão de valorizar a atitude de Maria e criticou a agitação de Marta.

A hospitalidade leva à comunhão quando valorizamos as nossas palavras. Com isso crescemos no conhecimento e na convivência fraterna, partilhando as alegrias e os sofrimentos, que fazem parte da vida de todas as pessoas.

O caso de Marta e Maria nos leva a retomar as nossas opções. Conclama-nos a viver em equilíbrio e com prazer cada instante da vida. A nossa atuação deve ser centrada no essencial, no mais necessário. O serviço ao próximo não pode ser dissociado da convivência fraterna.

Enfim, a hospitalidade está na dimensão da gratuidade, que é um desafio num mundo como o atual. O que vemos hoje é a predominância do medo, o isolamento, a privacidade, o individualismo, o excesso de trabalho e a falta de tempo. Assim perdemos a oportunidade do amor fraterno.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto

fonte:Canção Nova

+ formações em: Formações Canção Nova

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Não tema o novo - Permita que a vida lhe ensine

A vida é marcada por novidades. À medida que vivemos, deparamo-nos cotidianamente com inúmeras descobertas. Em determinados momentos, as novidades vividas são ruins, em outros, são boas, mas, querendo ou não, o “novo” sempre vem e mudanças sempre acontecem. Alguém que vai embora, um emprego que se perde, um amor que vai embora, a vida nos reserva muitas surpresas e, por intermédio delas, podemos sempre crescer.

Existem mudanças que podem ser positivas, outras até mesmo necessárias. Quando rompemos com o medo, assumindo, com humildade, a graça de não sermos sabedores do futuro, podemos ser extremamente formados pelo mistério, que, aos poucos, vai se revelando, desvelando nossa verdade e acrescentando àquilo que somos.

O “novo”, as mudanças, as perdas revelam aquilo que somos, pois, à medida que vamos reagindo diante de cada nova situação, vamos descobrindo novas áreas de nós mesmos, e podemos compreender um pouco mais quem somos nós. Não é pela ação que você conhece uma determinada pessoa, mas por suas reações, pois, as ações podem ser programadas e as reações sempre são naturais.

Cada tempo novo, cada situação nova na vida, é um momento privilegiado para se descobrir no melhor e no pior, nas fraquezas e nas virtudes. Não existe crescimento sem autoconhecimento. Por isso não podemos temer o “novo”, pois quando o vivemos bem, deixando as coisas acontecerem a seu tempo, crescemos significativamente na compreensão do mistério que somos nós.

Não fugir de si mesmo, e de algumas mudanças necessárias, é um caminho de cura e maturidade. Enfrentar-se, com humildade e paciência, diante das próprias limitações, significa preparar o caminho para a virtude.

A felicidade habita no coração que, aos poucos, se torna livre, natural e sem ilusões a respeito de si e da vida.

Não tema o “novo”, as mudanças, enfim, não tema se descobrir. Permita que a vida lhe ensine a se aceitar e amar aquilo que você realmente é, desprendendo-se de ilusões e de idealizações irreais.

Quando começamos a nos compreender, alcançamos a capacidade de transformar “invernos” em belíssimas “primaveras”. Faça essa experiência!

Disciplina gera santidade


Mensagem de Márcio Mendes no programa "Sorrindo pra Vida" da TV Canção Nova, nesta terça-feira, dia 13 de julho de 2010.


Ao ir para a página do Podcast Sorrindo pra Vida , você encontrará, abaixo de cada um deles, uma seta; ao clicar nela você conseguirá baixar o arquivo em MP3.

Eu quero convidar você para abrir a Palavra de Deus em: Provérbios 4,10-27.

É Deus quem nos fala para ouvi-Lo e os anos de nossa vida se multiplicarão. Todos nós queremos um caminho de acertos, pois ninguém gosta de fracassar em suas metas. No entanto, nem sempre percebemos que nós, por nós mesmos, não somos capazes, precisamos da graça e do auxílio de Deus.

Se você seguir as orientações do Senhor, nada poderá detê-lo. Deus nos toma pela mão e vai nos guiando pela Sua Divina Providência. Nós vivemos da fé, vamos pelo caminho sem ver o que está lá à nossa frente, mas fiquemos em paz, pois Aquele que nos conduz não nos deixará.

É preciso ter disciplina na vida e isso significa escutar e obedecer a Deus. Disciplina é o mesmo que fazer o que o discípulo faz. Nós ouvimos e obedecemos porque somos discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo. E a nossa disciplina é escutar e obedecer a Deus para fazer o bem.

Se quisermos caminhar na verdade e ter uma vida longa, na qual o Espírito nos guia para além dos obstáculos, é preciso disciplina e nos determinar para melhorarmos como pessoa, pois sem disciplina não há santidade. A pessoa que não se organiza, que não tem compromisso, que não é fiel, não chega a lugar nenhum e está sempre sozinha.

Quando não nos firmamos, qualquer proposta nos desvia e qualquer um nos tira do caminho. Por essa razão, firme-se na Palavra de Deus, porque o caminho errado sempre parece mais fácil, mas não o é, ele é o mais longo e cravejado de sofrimentos. Ele pode parecer um atalho, mas, na realidade, é tenebroso. Quando as coisas apertam, todos nós queremos escapar de algum jeito, mas a porta aberta pela tentação nos leva para longe de Deus.

A vereda dos justos é uma luz esplêndida, diz a Palavra. Quem segue pelo caminho indicado pelo Senhor sabe sempre aonde vai, não porque o vê, mas porque caminha pela fé e sabe que Deus está com ele.

Quem caminha na justiça se torna uma luz para os outros, mas veja: para brilhar existe sempre um custo, porque uma vela não produz luz se ela não for acesa, ela precisa queimar para brilhar. Da mesma forma, nós não poderemos ajudar os outros sem nos consumirmos. Mas quem é que gosta de sofrer? Mas é preciso aprendê-lo [a sofrer] com sabedoria.

Se obedecermos a Deus e formos pacientes, seremos uma bênção para o mundo. Então devemos ser fiéis nos momentos difíceis e manter a disciplina mesmo quando todos já desistiram. Se quisermos brilhar, precisaremos nos "queimar" para não nos desviar do bem e da verdade e estar unidos no amor a Deus e aos homens. Precisamos amar como o Senhor ama.

Muitos querem vencer sem lutar, mas antes da vitória existe a cruz e a vitória de amanhã tem suas raízes nos sofrimentos do hoje. A Palavra do Senhor nos garante que quando obedecemos aos Mandamentos de Deus recebemos vida em nossa vida. É preciso deixar vir à tona tudo aquilo que temos de melhor. O Espírito Santo faz de nós criaturas novas, trazendo para fora aquilo que temos de melhor em nosso interior desde que fomos criados por Deus. Assim como a cana precisa passar pela moenda para, no final, dar o melhor e o mais doce açúcar.


Márcio Mendes
Comunidade Canção Nova

Transcrição e adaptação: Célia Grego
fonte: Clube da Evangelização

sábado, 3 de julho de 2010

A beleza da amizade

No conturbado mundo de hoje a ausência da verdadeira amizade é uma das causas de inúmeros males. É este laço sagrado que une os corações. Quirógrafo das almas nobres, é a afeição que fundamenta o lídimo amor, sendo este a própria amizade em maior intensidade.

Desde a mais remota Antiguidade o homem se interrogou sobre a essência da amizade. Filosofou sobre este aspecto da interação humana. Podemos dizer que a amizade é uma certa comunidade ou participação solidária de várias pessoas em atitudes, valores ou bens determinados. É uma disposição ativa e empenhadora da pessoa.

O valor da amizade foi revelado pela Bíblia: "O amigo fiel não tem preço" (Sl 6,15), pois "ele ama em todo o tempo" (Pv 17,17. "O amigo fiel é uma forte proteção; quem o encontrou, deparou um tesouro" (Eclo 6,14). "O amigo fiel é um bálsamo de vida e de imortalidade, e os que temem o Senhor acharão um tal amigo" (Eclo 6,16).

A função psicossocial da amizade é, assim, de rara repercussão. Ela é fator de progresso, pois o amigo autêntico aperfeiçoa e educa pela palavra e pelo exemplo; é penhor de segurança, uma vez que o amigo leal é remédio para todas as angústias, dado que a amizade é força espiritual. Entretanto, há condições para que floresça a amizade.

Pode-se dizer que são seus ingredientes: a sinceridade, a confiança, a disponibilidade, a tolerância, a compreensão e a fidelidade. Saint-Exupéry afirmou em sua obra "O Pequeno Príncipe": "És eternamente responsável por aquilo que cativas".

Na plenitude dos tempos Jesus apresentou-se como legítimo amigo. Ele declarou: "Já não vos chamo servos, mas amigos" (Jo 15,15) e havia dito: "Ninguém dá maior prova de amor do que aquele que entrega a vida pelos amigos" (Jo 15,13). Rodeou-se de pessoas, as quais se repletaram dos eflúvios de Sua bondade. Felizes os que O conheceram, como Lázaro, Marta, Maria, Seus amigos de Betânia; os Doze Apóstolos; Nicodemos; Zaqueu; Dimas, o bom ladrão; e tantos outros. É, porém, preciso levar a amizade a sério.


A Bíblia assegura que "O amigo fiel é medicina da vida e da imortalidade" (Eclo 6,16). Disse, porém, Santo Agostinho: "A suspeita é o veneno da amizade". Bem pensou, porque a amizade finda onde a desconfiança começa. O amigo é luz que guia, é âncora em mar revolto, é arrimo a toda hora. Esparge raios de sol de alegria, derramando torrentes de clarões divinos. Dulcifica o pesar. Tudo isso merece ser pensado e repensado. É essencial, todavia, meditar também sobre o ensinamento bíblico: "Quem teme a Deus terá bons amigos, porque estes serão semelhantes a Ele" (Eclo 6,17).

terça-feira, 1 de junho de 2010

Sistema MN e Fazenda da Paz iniciam campanha contra o crack

Apesar de sua rápida propagação e pelos efeitos na vida dos jovens, adultos e suas famílias, a pioneira e maior campanha contra contra o crack será iniciada hoje no Piauí, em uma parceria do Sistema Integrado de Comunicação Meio Norte com a Fazenda da Paz em TV, rádio, jornal e portal, além de ações coletivas como uma caminhada do encontro da Avenida Frei Serafim com a Rua Coelho de Resende, no centro da capital, até a Câmara Municipal, a partir das 7h do dia 25 de junho, quando toda Teresina vai parar por um minuto no dia 25 deste mês, no chamado “Movimento 1 Minuto pela Vida”.

Começa hoje a veiculação de anúncios na TV Meio Norte, na rádio FM Meio Norte, no Jornal Meio Norte e no Portal Meio Norte com o slogan “Crack O Começo do Fim”, e vai até o dia 26 dejunho.

A redatora publicitária Luciana Dantas, da House, a agência de propaganda e publicidade do Sistema Integrado de Comunicação Meio Norte, e o diretor e fundador da Fazenda da Paz, Célio Luiz Barbosa, planejaram toda a campanha, o foco e os objetivos que foram traduzidos em anúncios, camisetas, busdoors e cartazes enfocando o combate ao crack.

“A campanha era contra os entorpecentes, mas como o crack está se agravando na cidade, principalmente entre os jovens e nas escolas resolvemos focar nisso. É uma campanha completa do Sistema Integrado de Comunicação Meio Norte e da Fazenda da Paz”, falou Luciana Dantas.

O ápice da campanha, segundo Célio Luiz Barbosa, é a caminhada iniciada, às 7h no dia 25 de junho, da Avenida Frei Serafim, que vai até a Câmara dos Vereadores, onde será realizada uma audiência pública, convocada pelo vereado major Paulo Roberto (PRTB), para discutir o avanço do crack em Teresina e no resto do Estado.

“Durante o Um Minuto pela Vida Teresina vai parar por um minuto para servir de alerta e conscientização em relação ao avanço e ao drama causado pela dependência do crack”, declarou Célio Luiz Barbosa.

O consultor de Jornalismo do Sistema Integrado de Comunicação Meio Norte, José Osmando Araújo, disse que a campanha é de grande dimensão e abrangência como uma forma de conscientizar a sociedade para os problemas na família, nas escolas, no trabalho, nos relacionamentos pessoais causados pela propagação, consumo e dependência do crack.

Ele disse que o Dia Mundial de Combate Contra as Drogas é no dia 26 de junho, mas por ser um sábado, a Caminhada até a Câmara Municipal e a paralisação da cidade será no dia 25 de junho.
“Toda a campanha será um alerta contra as drogas e abertura nas famílias e na sociedade para a reabilitação do dependente da droga, que só é possível com o apoio da famílias e das pessoas que o cercam”, declarou José Osmando.

Luciana Dantas afirmou que a campanha será feita com anúncios de jornal, camisetas, busdoors, adesivos de carros, anúncios de TV, de rádio, floater (banner flutuante) para portal na internet. “Tudo com o mote Crack o começo do fim”, falou Dantas.

A campanha foi antecipada por um tizer (anúncios que preparam uma campanha publicitária ou um evento) de 15 segundos, que já estavam sendo veiculados na TV Meio Norte.

A TV Meio Norte e a rádio FM Meio Norte veicularão depoimentos de familiares e de dependentes químicos, que vivem o drama do vício do crack.
Fonte:MeioNorte

terça-feira, 25 de maio de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quarto Cultural dia 28/02/2010 com Banda ORE

Em sintonia com as comemorações do Ano Jubilar da Paróquia Santa Joana D'Arc o Despertar contribui com mais um Quarto Cultural com o tema da Quaresma! Teremos a presença da Banda ORE. Venha participar desse momento de comeração e reflexão!

Local: Praça Santa Joana D'Arc (Mocambinho I)
Dia e Horario: 28/02/2010(Domingo) às 20h

Tem alguma expressão cultural (musica, dança, exposições, teatro....)? nos procure e contribua com essa manifestação cultural!
Contato: Tom 86 8846-5774

O que é o Quarto Cultural

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cultura moderna precisa da reflexão e ação da Igreja, diz Papa


Diante do relativismo que influencia a cultura moderna, é urgente uma formação que promova o homem na sua totalidade e plenitude, disse o Papa Bento XVI nesta quinta-feira, 28, aos membros das Pontifícias Academias. A audiência especial aconteceu na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano, e teve como tema "A formação teológica do presbítero".

Bento XVI enfatizou que a Igreja deve oferecer razões de verdade, vida e esperança onde faltam ideais e a própria moral. "À carência de pontos de referência ideais e morais, o que penaliza particularmente a vida civil e sobretudo a formação das novas gerações, deve corresponder uma oferta ideal e prática dos valores e da verdade, de razões fortes de vida e de esperança, que possam e devam interessar a todos, especialmente aos jovens", destacou.

O Santo Padre sublinhou que tal compromisso deve ser particularmente obrigatório para a formação dos candidatos ao sacerdócio, como exige o Ano Sacerdotal e como afirma o tema deste ano escolhido pelas Pontifícias Academias.

O Papa frisou que a cultura atual e, mais ainda os fiéis solicitam continuamente a reflexão e a ação da Igreja nos vários âmbitos onde emergem novas problemáticas, sobretudo na pesquisa filosófica e teológica das Academias Pontifícias.

"É necessário que as Pontifícias Academias sejam hoje, mais do que nunca, instituições vitais e vibrantes, capazes de perceber com exatidão as demandas da sociedade e da cultura, bem como as necessidades e expectativas da Igreja, para fornecer uma contribuição apropriada e valiosa, e assim promover, com todas as energias e recursos disponíveis, um autêntico humanismo cristão", acrescentou.

Esta é a décima quarta vez que o Conselho das Pontifícias Academias realiza uma conferência para tratar de uma questão atual. O intuito é demonstrar qual a contribuição da Igreja no âmbito teológico e na recuperação das raízes cristas.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Big Brother 10. Como cristão, convém assistir?

Simbolo do Big Brother Brasil 10

+ É sempre prematuro falar sobre o primeiro episódio de qualquer programa em série, especialmente de um reality show, que não tem roteiro muito definido. Mas essa me pareceu a estreia de “Big Brother” com linhas mais claras, definidas.

+ Uma das chaves desta edição foi dada explicitamente por Pedro Bial: “Este BBB tem um novo alfabeto. ABCDEF GLS…” Uma das participantes depois reforçou: “Este é o BBB da diversidade”. Por fim, a animação de Maurício Ricardo mostrou três robozinhos, um deles gay. A direção do programa selecionou um gay, uma lésbica e uma drag queen, todos assumidos – o que demonstra que as questões de gênero sexual terão papel predominante desta vez.

+ A ideia de uma vida dupla é reincidente entre os participantes – muito além da duplicidade inerente aos brothers GLS. Há uma doutora em lingüística que vira perua baladeira, uma policial que solta a franga na praia, um engenheiro agrônomo que foi modelo, um advogado que treina boxe e assim por diante.

+ Como se vê, a “segunda vida” dos participantes está ligada em geral ao corpo. Muitos ganham a vida com atividades físicas: um dançarino, uma dançarina de boate, um personal trainer e assim por diante. Esta parece ser também uma das edições mais homogêneas em termos corporais/hormonais, com uma maioria absoluta de corpos esculpidos, quando não marombados. Pela minha lembrança, havia mais exceções em edições anteriores, como Cida ou Jean, por exemplo.

+ É cedo para dizer, tudo pode mudar nas próximas semanas, mas o “casting” da edição me pareceu bastante inspirado, com vários participantes de personalidade forte. E já deu para identificar claramente uma barraqueira, a jornalista lésbica, que deu uma enquadrada forte e desnecessária, logo no primeiro programa, na dançarina de boate .

Ricardo Calil, critico de cinema.

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S. Paulo, com muita sabedoria nos disse: ” Tudo nos é lícito mas nem tudo nos convém, tudo nos é permitido mas nem tudo nos edifica”. (I Cor 10,23)

Convém perder o nosso precioso tempo dando audiência a um programa cujo conceito é francamente anti evangélico em toda sua proposta de estimular com que o pior das pessoas venham à tona e seja objeto de observação 24 horas por dia, pela tv ou internet ?

Sei que tem coisas aproveitáveis na TV, outras, no entanto, não acrescentam nada na vida da gente.

Aliás, se houver algum acréscimo, esse será na conta bancária do vencedor e na emissora que ganha milhões às custas da curiosidade mórbida das pessoas que tem ânimo para assistir o manjado grande irmão- que de grande só tem os interesse financeiro envolvido dentro da turma escolhida e na audiência ávida por alguma coisa que lhes ofereça mais sentido para a vida!

fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/5494-big-brother-10-como-cristao-convem-assistir-e-da-audiencia